Psiquiatria

“A saúde mental é um estado de bem-estar no qual o indivíduo exprime as suas capacidades, enfrenta os stressores normais da vida, trabalha produtivamente e de modo frutífero, e contribui para a sua comunidade.” (OMS)

O que é a Psiquiatria

A psiquiatria – expressão grega que significa “arte de curar a alma” – é um dos ramos da Medicina que se direciona para o estudo das perturbações psíquicas humanas, sejam elas de ordem emocional, comportamental, mental ou orgânicas. Tem como objetivo evitar que elas ocorram e diagnosticar e tratá-las quando já se encontram em curso. Sejam elas de natureza física ou psíquica, o Psiquiatra busca sua cura ou pelo menos tenta amenizar o sofrimento do paciente, contribuindo assim para o seu bem-estar mental ou psíquico e por contiguidade, bem-estar físico – “mens sana in corpore sano” (mente sã em corpo são).

O que pode a Psiquiatria tratar?

Queixas e sintomas de:

  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Stress;
  • Tristeza;
  • Preocupação;
  • Inquietação;
  • Agitação;
  • Falta de concentração;
  • Perda de prazer na vida;
  • Perda de controle;
  • Insónia;
  • Impulsividade;
  • Agressividade;
  • Apatia;
  • Cansaço;
  • Anorexia;
  • Alterações do comportamento;
  • Perda de sentido da vida;
  • Vícios;
  • Confusão;
  • Falta de vontade;
  • Psicoses;
  • Neuroses;
  • Obsessões;
  • Pensamentos ou ideias de morte ou suicídio;
  • Medo;
  • Pênico;
  • Fadiga;
  • Aconselhamento familiar e na gravidez;

Doenças:

Psicoses:

  • Esquizofrenia
  • Outras psicoses

Perturbações do humor:

  • Episódios depressivos
  • Episódios maníacos
  • Doença bipolar
  • Etc

Perturbações de ansiedade:

  • Fobias/medo
  • Pânico
  • Ansiedade generalizada
  • Perturbação obsessivo-compulsiva
  • Dissociações e conversões
  • Perturbações somatoformes
  • Reações ao stress e perturbações de ajustamento
  • Etc

Perturbações de personalidade:

  • Paranóica
  • Esquizóide
  • Anti-social
  • Instável
  • Histriônica
  • Anancástica ou Obsessivo-compulsiva
  • Evitativa
  • Dependente
  • Etc

DEPRESSÃO: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a DEPRESSÃO é uma das doenças mais prevalentes do mundo e em 2030 será provavelmente a mais comum, afetando mais pessoas do que o cancro e as doenças cardíacas. Será também assim, a doença com maior custo económico-social para os governos. Atualmente, mais de 450 milhões de pessoas padecem de algum tipo de transtorno mental, sendo maior a prevalência em países em desenvolvimento ou desenvolvidos. Os sintomas de depressão são muito variados, desde a sensação de tristeza, cansaço, apatia e desmotivação, e pensamentos negativos de desesperança, até sensações somáticas desses mesmos sintomas (dores, mal-estar, etc.). A depressão é uma doença que deve ser valorizada e não desprezada por quem rodeia o doente, pois só saberá o sofrimento, quem dele padece. Mas felizmente tem tratamento.

Quem se deve dirigir à consulta de Psiquiatria?

Todos as pessoas podem ter consulta de psiquiatria quando necessário ou por prevenção, desde o adolescente (16 anos) até ao idoso.

Qualquer pessoa que sinta um défice de bem-estar, que esteja em sofrimento interno por qualquer problema de vida (trabalho, família, relacionamentos, etc), que tenha ideias ou pensamentos negativos, que tenha baixa autoestima ou défice de autoconceito, que não consiga ter um bom funcionamento no seu dia-a-dia, pode e deve consultar o seu Psiquiatra.

Mensagem

A Psiquiatria é uma especialidade médica como outra qualquer, procurando tratar os doentes dentro do seu melhor. Contudo, embora a pessoa que padeça de um distúrbio mental, seja ele de que ordem for – problemas de vida, pessoal, conjugal ou social, situações de stress, de desespero, de perda de ente-queridos, de mobbing, de bulling, preocupação, perda de sentido da vida ou do prazer pelas coisas, de ansiedade ou de depressão, etc, etc, etc – esteja ciente dos seus problemas e queira buscar ajuda junto do seu Psiquiatra, o efeito nocivo das superstições e atitudes anticientíficas que cercam o universo da Psiquiatria e da saúde mental, faz com que a busca por auxílio nessa área não seja feita da forma correta e com a necessária urgência, conduzindo a pessoa a um sentimento de solidão e desamparo, no qual se vê desprotegida e “diferente”, chegando-nos muitas vezes em fazes muito deterioradas de doença que poderiam ser evitadas se detetadas precocemente.

A saúde é um direito social, inerente à condição de cidadania, que deve ser assegurado sem distinção de raça, de religião, ideologia política ou condição socioeconômica, a saúde é assim apresentada como um valor coletivo, um bem de todos. E a saúde mental não é exceção.

Breve história da Psicologia

A origem da Psiquiatria como parte da medicina, remonta à Antiguidade, cerca de 30 séculos antes de Cristo, com raízes no Antigo Egipto, China e Índia, sendo que nesta última, extrato de Rauwolfia serpentina (contendo reserpina e conhecida como o primeiro psicofármaco), era usado no tratamento da “insanidade” desde há cerva de 3000 anos. Cinco séculos antes de Cristo, Hipócrates continuou as noções desses países, com a criação dos 4 Humores (sangue, bílis, linfa e fleuma) e dos aforismas referentes ao delírio, á mania, à frenite e à melancolia. Galeno, no início da era Cristã, elabora o conceito de Histeria, como doença tanto do homem como da mulher.

Influências da filosofia grega, levaram ao desenvolvimento dos conceitos de imaginação, juízos raciocínio e memória, conceitos esses, continuados pela era do Cristianismo, na pessoa de Santo Agostinho, que se dedicou ao estudo da memória e da consciência e que marcou a sua influência na psicanálise e na fenomenologia.

No segundo milénio do Cristianismo, foram criados os Hospícios, Asilos (Geel na Bélgica e o Bethlem Royal Hospital em  Londres), baseados na crença de que a doença mental era sobrenatural e um “castigo divino”, o que levou a uma época conturbada  com a Inquisição e a “caça às bruxas”, com exorcismos (de referir o livro – Malleus Maleficarum ou Martelo das Bruxas, de 1448, escrito por dois padres dominicanos – Heinrich Kraemer e James Sprenger). Mais tarde, Johann Weyer (1515-1588), médico holandês, escreveu o De Praestigiis Daemonum et Incantationibus ac Venificiis que postulava que as doenças mentais não eram sobrenaturais e que as feiticeiras precisavam ser tratadas como doentes psíquicos.

No século XVII, Thomas Sydenham descreveu os efeitos dos opiáceos e teceu considerações sobre a coreia aguda, a mania e a histeria, concomitantemente com a descrição de Thomas Willis sobre o Polígono de Willis, a paralisia geral (Sífilis), a miastenia e alguns casos de jovens que na puberdade entravam em “estupidez”, aquilo que clinicamente viria a correspender ou a  ser designado por esquizofrenia.

Do ponto de vista clínico, os doentes mentais continuavam à margem da sociedade e tratados em Hospitais Gerais.

No auge da revolução Francesa, Philippe Pinel lança a primeira tentativa de classificação das doenças mentais, agrupando-as em Manias (delírios gerais), Melancolias (delírios exclusivos), Demências e Idiotas, introduzindo também os conceitos de moral e liberdade.  No século XVIII, William Cullen cria o termo neurose, como hoje o concebemos. A segunda metade do mesmo século, é marcada por um período de desenvolvimento conhecido como a “Psiquiatria Ilustrada”, enxertado na figura de Immanuel Kant (criador da Filosofia Transcendental), que nos séculos XIX e XX, viria a influenciar as Escola Francesa e Alemã de Psiquiatria e nomes como Alois Alzheimer, Theodor Meynert, Carl Wernicke e Arnold Pick, bem como dois dos grandes nomes da Psiquiatria: Emil Kraepelin e Sigmund Freud.

No início do século XX, enfatiza-se a psicanálise, a noção de síndrome e a criação do conceito de Esquizofrenia por Eugen Bleuler, substituindo o termo Demência precoce de Morel. Karl Jaspers (1913), entusiasta da fenomenologia, elabora uma metodologia sistemática para abordar as doenças mentais. Nomes como Kurt Schneider e Egas Moniz, deixam também o seu contributo.

Em meados do século XX, dá-se o advento da psicofarmacologia e doenças como a Doença Bipolar, a Depressão e a Esquizofrenia, começam a ter tratamento farmacológico.

Em Portugal, nomes como Barahona Fernandes e Pedro Polónio, marcam a história da Psiquiatria com a criação da terapia ocupacional em psiquiatria e a experiência comunitária do Hospital Miguel Bombarda, que, sob a égide de Fernando Medina, irá se propagar para outras instituições hospitalares.

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